087 Maria modelo de evangelizadora

Maria modelo de evangelizadora

17/nov/10

Por Padre Rufus Pereira
Tradução: Vinícius Adamo
Transcrição: Carlos S. Gushiken


O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós.
Proclamação do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, segundo Lucas.
Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo Jesus acrescentou uma parábola, porque estava perto de Jerusalém e eles pensavam que o Reino de Deus ia chegar logo. Então Jesus disse: “Um homem nobre partiu para um país distante, a fim de ser coroado rei e depois voltar. Chamou, então, 10 de seus empregados, entregou a cada um 100 moedas de prata a cada um e disse: Procurai negociar até que eu volte. Seus concidadãos, porém, o odiavam, e enviaram uma embaixada atrás dele dizendo: Nós não queremos que esse homem reine sobre nós. Mas o homem foi coroado rei e voltou. Mandou chamar os empregados aos quais havia dado o dinheiro, a fim de saber quando cada um havia lucrado. O primeiro e chegou e disse: Senhor, as 100 moedas renderam dez vezes mais. O homem disse: Muito bem, servo bom, como fostes fiel em coisas pequenas, recebe o governo de 10 cidades. O segundo chegou e disse: Senhor, as 100 moedas renderam cinco vezes mais. O homem disse também este: Recebe tu também o governo de cinco cidades. Chegou o outro empregado e disse: Senhor, aqui estão as suas 100 moedas e eu guardei num lenço, pois eu tinha medo de ti, porque és um homem severo, recebe o que não deste, e colhes o que não semeaste. O homem disse: Servo mau, eu te julgo pela tua própria boca, tu sabias que eu sou um homem severo, que recebo o que não dei, e colho o que não semeei. Então por que tu não depositastes meu dinheiro ao banco? Ao chegar, eu retiraria com juros. E disse depois aos que estavam ali presentes: Tirai dele as 100 moedas dai a aqueles que tem 1.000. Os presentes disseram: Senhor, este já tem 1.000 moedas. Ele respondeu: Eu vos digo, a todo aquele que já possui, será dado mais ainda. Mas aquele que nada têm, será retirado até mesmo o que tem. E quanto a esses inimigos, que não queria que não reinasse sobre eles, trazei-os aqui se matai-os na minha frente.” Jesus caminhava à frente dos discípulos subindo para Jerusalém. Palavra da salvação.
Glória a vós, Senhor.
(aplausos)
(- música)

Padre Rufus:
Aquele moço veio com o pôster dizendo: “Padre Rufus, eu quero estar com o senhor” e eu vou dizer para ele: “É melhor você estar com Jesus”. (aplausos)

Nesta última sessão aqui na Canção Nova, antes de eu viajar amanhã para Caxias do Sul, para outros encontros, e depois para Belo Horizonte, nesta última palavra que eu quero partilhar com vocês, eu estava, pensando na última palavra no Evangelho, o que queria partilhar com vocês.
Eu pude observar tanto a figura de Maria com de Jesus, e também a estátua de Maria, e isso que me fez perceber que nós temos milhares de santos da Igreja Católica.
Eles não são apenas nossos intercessores, mas, mais do que isso, eles são nossos modelos.
Mas, claro, nenhum deles pode tomar o lugar de Jesus. Jesus deve ser o nosso modelo, ele deve ser aquele que nos inspira a ser seus discípulos, é a ele que nós devemos seguir, como nossos discípulos.
Mas existe uma pessoa próxima de Jesus que deve ser nosso modelo, nossa inspiração, e é lógico: nós estamos falando de Maria, sua mãe e mãe da Igreja.
Aqui então eu gostaria de partilhar com vocês o que o Evangelho fala sobre Maria, Maria como discípulo-modelo, Maria como modelo de evangelização.
Nós costumamos olhar para Maria somente como intercessora, alguém a quem a gente pode recorrer para ter as nossas orações respondidas, alguém a quem podemos recorrer buscando obter favores. Mas, como o Papa disse na sua encíclica sobre Maria, nós devemos começar a olhar Maria como nosso modelo, e acima de tudo, como uma presença.
Então, se Maria deve ser para nós um modelo, tanto um modelo de discipulado, como um modelo de evangelizador. E mesmo os poucos versículos que se referem a Maria, são suficientes para nos mostrar que Maria realmente é o nosso discípulo modelo, e também é a nossa evangelizadora-modelo.
Por que é que eu digo que Maria é um discípulo modelo? Porque ela mostra todos qualidades que um discípulo de verdade deve ter, porque em primeiro lugar ela é a mulher da palavra, é uma mulher no Espírito é uma mulher da cruz.
E portanto não esqueça essas três coisas que eu estou dizendo para você, e eu repito: ela é a mulher da palavra, é a mulher do Espírito, e, finalmente, é a mulher da cruz.

Maria, a mulher da palavra
É a mulher da palavra. A história de Maria começa com a aparição do anjo Gabriel a ela, que deu a boa nova de que ela deveria ser a mãe do Messias e ela estava imaginando como ela, uma virgem, poderia dar a luz a um bebê. Quando o anjo assegurou a ela que o filho que ela conceberia seria pela força do Espírito Santo, então ela aceitou a palavra de Deus, ela disse aquela linda frase: “Seja feita em mim a vossa vontade, aqui estou”.
É a maneira que melhor expressa o que nós, discípulos, devemos ser, seja o que for que o Senhor falar conosco. A nossa resposta tem que ser como essa, de Maria: “Aqui estou, Senhor, para fazer a sua vontade. Seja feita em mim de acordo com a sua palavra”. e é uma das palavras mais belas da bíblia, e por quê? No momento em que Maria expressou-se com fé, dessa forma, Jesus, a segundo pessoa da Santíssima Trindade, encarnou-se, e tornou-se um bebê em seu ventre.
Esse é o poder dessa palavra que Maria disse, e você pode imaginar o que acontecerá com as nossas vidas se vocês fizeram o mesmo, e que seja lá que dificuldade tenhamos em entender a palavra de Deus, seja lá qual for a dificuldade que tenhamos de realizar a palavra de Deus, no momento em que ouvimos a palavra de Deus, e a nossa resposta for como essa resposta de Maria, “Senhor seja feita a sua vontade em minha vida, seja feito comigo conforme a sua palavra”, assim como ela falando, Jesus também entra na nossa vida, da mesma forma, Jesus vai entrar também na nossa vida.
E segundo lugar, quando nós lemos sobre a visita de Maria a Isabel, você sabe o quanto Isabel ficou surpresa quando Maria chegou em sua casa, porque Isabel teve a sensação, pela força do Espírito Santo, que Maria não estava mais sozinha, que Maria estava trazendo Jesus para a casa de Isabel e Zacarias. E o quê que Isabel disse? “Como é possível que a mãe do meu Senhor venha até a mim?” e Isabel louvou o Senhor por Maria ser a mãe de Deus todo-poderoso. Então ela refletiu e percebeu que havia uma razão mais importante pela qual Maria foi chamada. E, dois versículos depois, Isabel chama Maria novamente de bem aventurada, por uma razão, de certa forma, mais importante. Isabel disse a Maria: “Bem-aventurada és tu porque ouvistes a palavra de Deus e obedeceste.”
Era como se Isabel estivesse dizendo a mim e a você, que Maria é a mais do que bem-aventurada não porque aconteceu dela ser a mãe do filho único de Deus, mas porque ela acreditou na palavra do Senhor.
Da mesma maneira, nós somos bem-aventurados quando nós ouvimos a palavra de Deus e cremos, e a marcamos em nosso coração.
Em terceiro lugar, indo adiante, quando Jesus estava contando a parábola da semente e do campo, em que ele disse que aquele homem que e ele disse que aquele home que semeasse com o fruto, colheria 100 vezes mais, seria abençoado, os discípulos e a multidão disseram a Jesus: “Maria e seus familiares queriam vê-lo”, e o que Jesus fez? De maneira dramática ele não saiu para se encontrar com sua mãe e os seus familiares. Ao contrário, ele voltou-se aos seus discípulos e disse: “Vocês são tão importante para mim como a minha mãe. Desde que vocês, como ela, ouçam a palavra de Deus e deem fruto 100 vezes mais”.
É como se Jesus estivesse dizendo que o melhor exemplo daquele terreno que dá 100 vezes mais conforme a  sua semente é a sua mãe, Maria, e Jesus estava dizendo a mim e a vocês que nós seremos tão próximos e tão queridos dele dele como foi a sua mãe, se na medida que nós, como ela, ouvirmos a palavra de Deus e perguntamos que essa palavra dê fruto em nós 100 vezes mais.
Imagine só Jesus dizendo para você que você é tão amado como a sua própria mãe? Isso não é incrível?
E a outra passagem do Evangelho que fala da Bíblia que fala sobre isso está no capítulo 11 do Evangelho de Lucas, quando Jesus está falando da força do Espírito Santo e dos ataques do espírito do Mal, Jesus fala de uma maneira tão poderosa e tão bela, que causou um grande impacto nos discípulos, como faz em mim ainda hoje, porque o Evangelho, capítulo 11, de Lucas, é uma das minhas passagens favoritas, do versículo 1 ao versículo 28.
E como é que termina essa passagem? Com uma mulher na multidão gritando quase gritando alto: “Como deve ser feliz da sua mãe ter um filho como você”, e eu compreendo o que ela estava dizendo, porque às vezes meus amigos dizem para minha mãe: “Você deve ser muito feliz porque você tem um filho como o Rufus”. Mas o que Jesus disse? “Não, eu é que sou feliz, eu é que sou afortunado por ter uma mãe como ela”. Que melhor elogio poderia um filho dar à sua mãe? Do que dizer: “Que afortunado sou eu porque tenho uma mãe como essa”, porque tudo aquilo que Jesus sabia e ensinou, ele aprendeu de sua mãe. Todos os dias sua mãe estava ensinando a ele a Bíblia, todo dia a sua mãe rezava com ele, conduzia-o, por isso Jesus se tornou o que ele era. Não era só pela força do Espírito Santo, mas o Espírito também usou a sua mãe, Maria, para fazer que Jesus pudesse ser o que ele foi. Por isso mesmo Jesus diz: “Eu devo tudo à minha mãe, a Maria”. (aplausos)
Portanto, Maria está em primeiro lugar entre as pessoas humanas.
A Bíblia não diz coisas tão maravilhosas? Incríveis? Coisas que nos inspiram e motivam.

Maria, a mulher do Espírito
E em segundo lugar, Maria era a mulher do Espírito, não somente a mulher da palavra, mas a mulher do Espírito. Como eu sei disso?
Porque bem no primeiro capítulo do Evangelho de Lucas, nós lemos: “Como será que é possível que ela, uma virgem, possa ter um filho?” Mas o anjo disse a Maria que isso seria um trabalho do Espírito Santo, ele disse essas lindas e fortes palavras, “O Espírito Santo virá sobre ti, o Espírito Santo tomará posse sobre você, para que o que nascer de você seja o Filho de Deus”.
Maria foi preenchida com o Espírito, da mesma maneira que Jesus seria preenchido com o Espírito, e depois os apóstolos seriam preenchidos com o Espírito, mas tudo começou com a Maria sendo cheia do Espírito Santo.
Portanto, eu não posso compreender como as pessoas dizem que tem devoção a Maria mas nunca leem a Bíblia, às vezes nem tem Bíblia em sua casa.
Mas, se forem verdadeiros discípulos de Maria, eles devem ler a palavra de Deus todos os dias, e fazer com que essa palavra seja o seu coração. Da mesma maneira, eu não consigo entender como é que alguém pode me dizer que é discípulo de Maria, quando ele nunca ouviu falar do Espírito Santo, e que não quer se recebê-lo e ser cheio do Espírito, repleto no Espírito. Porque Maria foi repleta do Espírito Santo, é que Jesus veio a este mundo.
E vemos em seguida o que Maria fez quando ela chegou à casa de Isabel e Zacarias. A sua própria presença trouxe o Espírito Santo àquela família. O João Batista foi repleto do Espírito Santo, Isabel ficou cheia do Espírito Santo, também Zacarias ficou repleto do Espírito Santo, depois Simeão ficou repleto do Espírito Santo e depois até mesmo Ana, a viúva, ficou repleta do Espírito Santo.
Aonde Maria passava, ela trazia consigo o Espírito Santo, ela criou uma epidemia de Espírito Santo. E ela era a mulher do Espírito.
Como pode qualquer pessoa dizer que é discípulo de Maria, se a pessoa não compreende que ela precisa ser preenchida pelo Espírito Santo? E ajudar os outros a serem batizados e repletos do Espírito Santo?

Maria, a mulher da cruz
E, em terceiro, Maria é a mulher da cruz.
O Evangelho de São João começa com a festa de Canaã no capítulo dois, quando teremos estas palavras: “Maria estava lá”.
Maria estava lá para dizer às pessoas o que ela experimentou, o poder da palavra de Deus quando ela disse para as pessoas: “Fazei tudo o que ele vos disser”. Na segunda vez o Evangelho de São João diz que Maria estava lá, no final do Evangelho, no capítulo 19, quando João diz que Maria estava lá, em pé, diante da cruz, como que para dizer que aquele é o lugar que Maria deveria estar.

Num determinado país, em todas as igrejas que a gente vai, eu vejo a mesma imagem atrás do altar: o crucifixo no centro, Maria de um lado e João Evangelista do outro lado. Toda igreja daquele país tem a mesma coisa. Não é este é um símbolo do que deveria ser? Porque Maria ficou ao pé da cruz, porque Jesus a convidou para que ela o seguisse, que  ela fosse com ele para a cruz, pegasse a sua cruz e fosse atrás de Jesus.
Desde o começo Maria passou por todos os sofrimentos que uma mulher  passa, até mesmo o sentimento de desconfiança no seu esposo que a amava tanto. E quanto tempo isso demorou, nós não sabemos. Mas Maria tomou sobre ela também o sofrimento da mulher nessa área em sua vida, que é, com frequência, uma grande cruz para as mulheres, de receber a suspeita do  homem a quem ama e que também são amadas.
Deus convidou Maria para que passasse pelo sofrimento das mães: o seu filho não morreu, não está doente, mas é raptado. E ela chega em agonia para saber o que aconteceu com seu filho, e nós sabemos que quando Jesus se perdeu no templo, você pode imaginar o sofrimento pela qual Maria passou, não sabendo o que aconteceu com Jesus.
E Deus permitiu que Maria passasse pelo sofrimento que as mães passam quando não sabiam onde estavam seus filhos. Maria expressa o seu sofrimento dizendo: “Filho, por que você fez isso conosco?”
Maria sofreu porque teve que refugiar num país estrangeiro e teve que fugir para o Egito. Você imagina o que esse problema pode ser?
Maria passou pelo sofrimento de saber que o rei Herodes estava buscando o seu filho para destruí-lo. Não era apenas uma ameaça, mas estava acontecendo realmente. Quando o rei Herodes mandou matar todos aqueles bebês em Helen, querendo matar Jesus na esperança de que fosse um deles, Maria sofreu pelo sofrimento das mães cujos filhos são mortos em todos esses ataques terroristas que ocorrem em todos os lugares.
E durante todo o ministério de Jesus Maria passou pelo sofrimento das pessoas que zombavam de Jesus, dizendo: “Veja o que o seu filho está falando, ele está traindo a fé dos nossos antepassados”, e o que Maria poderia fazer? Somente ouvir e ouvir.
E depois, no caminho da Cruz, a tradição diz que Maria encontrou-se com Jesus no caminho do Calvário, na quarta estação do Calvário. E o que você pode imaginar o que foi esse encontro.
E finalmente a última cruz que Maria recebeu, quando a bíblia diz: “ali, aos pés da Cruz estava Maria, a mãe de Jesus”.
Assim como se ela, até o final assistiu e participou dos sofrimentos de Jesus. Maria nunca pôde esquecer, como Simeão havia dito a ela, que uma espada de dor transpassaria o seu coração.
Você pode imaginar o que ela sentiu anos depois disso?

Conclusão
Mas agora havia uma lança transpassando o coração de Jesus, e ela pôde perceber que aquela mesma lança que transpassada o coração de Josias, era o mesmo que a espada que transpassava o seu coração, porque Jesus havia convidado Maria para ser a sua primeira discípula, para ser a mulher da palavra, para obedecer a palavra de Deus e obedecer, independentemente da dificuldade, para ser a mulher do Espírito, não somente para receber o Espírito, mas para ajudar os outros que recebessem também, e para ser a mulher da cruz, convidando-a para que ficasse ao lado do crucificado, a Igreja não mais se esquece o que Jesus disse: “Todo aquele que quer ser meu discípulo, deve se negar a si mesmo, deve dizer ‘não’ aos valores do mundo, deve dizer ‘sim’ aos valores do Senhor e deve carregar a sua própria cruz e seguir a Jesus”.
Maria, a mulher a palavra, a mulher do Espírito e a mulher da cruz.
E o Senhor nos chama, a cada um de nós hoje, aqui, que queremos nos proclamar cristãos e católicos, que, se quisermos evangelizar o mundo, nós não podemos fazer isso a menos que, como Maria, nos tornemos discípulos e, como modelo de evangelizadora, para que sejamos homens e mulheres da palavra de Deus, para sermos mulheres e homens do Espírito, de sermos homens e mulheres da cruz.
Amém.
(aplausos)


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