Roteiro para a cura interior


Roteiro para a Cura Interior
Por Padre Léo
Transcrição Carlos S. Gushiken


Mateus, capítulo 15, versículo 21.

É continuação daquele texto que nós meditamos ontem de manhã.

Partindo dali Jesus foi para a região de Tiro e Sidônia, um outro país. Uma mulher da Cananeia vinda daquela região pôs-se a gritar “Senhor, filho de Davi, tem compaixão de mim. Minha filha é cruelmente atormentada por um demônio”.

Ele não lhe respondeu palavra alguma. Seus discípulos aproximaram-se e lhe pediram “Manda embora essa mulher, pois ela vem gritando atrás de nós”. Ele tomou a palavra “eu fui enviado somente às ovelhas perdidas da Casa de Israel”.

Mas a mulher veio prostrar-se diante de Jesus.

E começou a implorar. “Senhor, socorre-me.” E ele lhe disse “Não fica bem tirar o pão dos filhos para jogá-los aos cachorrinhos”. E ela insistiu, “É verdade, é verdade, Senhor, mas os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa de seus donos”.

Diante disso Jesus respondeu “Mulher, grande é a tua fé. Como queres, seja feito”. E a partir daquela hora sua filha ficou curada.

Palavra da salvação.

Glória a vós, Senhor.

((aplausos))

Eu queria dar um nome a esta pregação, que aí a diretora de palco não vai perguntar no final, mas não só para ela anotar na fita, mas para você também.

O nome que eu queria dar a essa pregação é “Roteiro de Cura Interior, Roteiro de Milagre, Roteiro de Cura Interior”.

O que é um roteiro? É uma rota. É um texto ou um mapa que indica a rota pela qual eu tenho que passar.

Então, Roteiro de Cura Interior é, se você quer receber a cura interior, o roteiro está aqui. Mas que roteiro difícil...

Vamos nos colocar nesse texto. Onde Jesus estava? Num país estrangeiro, e aí veio uma senhora, mulher.

Vejam, de vez em quando aparece na televisão uma mulher oriental, como a mulher é tratada, lá embaixo, tanto que o judeu reza todo dia “eu te louvo, Javé, por ter nascido judeu, e eu te louvo por não ter nascido mulher”.

Isso é oração que ele faz. E eles dizem que serve para proteger a mulher, que proteção mais besta, e isso é machismo puro.

Então nós estamos falando de um caso muito sério, de uma mulher estrangeira, num outro país, e essa mulher tinha um problema seriíssimo.

Qual?

A filha dela estava terrivelmente atormentada pelo “encardido”. Não era uma... um probleminha qualquer. Para vocês terem uma ideia, no Brasil, o último caso conhecido de possessão demoníaca foi no Rio Grande do Sul em 1947.

Portanto, aqui nunca ninguém viu até hoje uma pessoa terrivelmente atormentada pelo demônio. Não estou falando da pessoa que dá uns tremeliques nela, esses tremeliques é fanatismo, isso é pessoa destemperada, pessoa atrapalhada. Aqui está se dizendo que é um caso muito, muito, muito grave. “A minha filha está ‘terrivelmente’...” e olha a tradução que a Bíblia da CNBB usa, “Senhor, filho de Davi, a minha filha é ‘cruelmente’”...

Cruelmente atormentada por um demônio. E Jesus não disse a história daquela mulher, Jesus não disse que era um problema psicológico, logo era um problema sério.

Eu digo com toda honestidade sem conhecer você, você nunca passou por um problema desse graças a Deus. E digo mais, se juntar o problema de todos nós aqui, não dá um problema desse. Porque nós, só de estarmos aqui num lugar de Deus, já significa que nem estamos atormentados e muito menos cruelmente pelo encardido, já é um grande sinal. Não é verdade?

((aplausos))

Essa mulher, não era um probleminha qualquer, não. Essa mulher tinha um problema, um não, essa mulher tinha uma penca de problemas. Mulher, estrangeira, devia ser viúva ou o marido largou dela, porque ela estava sozinha. E a mulher não podia aparecer em público sozinha a não ser que fosse viúva, separa ou prostituída. Nós não sabemos o que tinha acontecido com essa coitada. Sabemos que ela tinha uma filha e essa filha estava cruelmente, terrivelmente atormentada por um demônio. Não sabemos se era uma doença física, psíquica ou espiritual.

A ideia que o texto dá é que envolvia tudo, porque para dizer que era cruelmente atormentada, vivia numa tormenta, era num sofrimento.

Quem sabe estava num vício muito grande?
Quem sabe tinha tido uma vida de pecado terrível?
Quem sabe estava vivendo um trauma?
Quem sabe estava paralítica?

Nós não sabemos. Nós sabemos que era um problema muito, muito, muito grave, e que louvado seja Deus, aqui nunca ninguém, nenhum de nós passou por algo semelhante. E é muito importante que você preste atenção nisso, era um problema muito grave.

A minha filha estava cruelmente atormentada por um demônio.

Essa mulher estava rezando só? Ela estava gritando. Prestaram atenção no texto? Uma mulher cananeia, estrangeira, vinda daquela região, outro país, pôs-se a gritar.

Não é aquela oraçãozinha que a gente faz escondido, não. “Oh, meu Jesus, ajuda eu...”

E também não é aquela oração que a pessoa só pensa em sim...

“Oh, meu Senhor, ajuda eu conseguir a emagrecer”...

((riso))

“Mas se eu não conseguir emagrecer, faz que as minhas amigas engordem...”

Amém.

((risos))

É oração que Deus tapa os ouvidos.

A oração dela era desesperada, tanto que ela gritava.

Gritava.

Gritar de oração, ela derramava sua alma na presença de Jesus e gritava blasfêmia? Não era igual umas pessoas que estavam ali na cantina gritando, falando palavrão que estava atrasando o lanche, gritando e xingando. Não era assim, não.

((aplausos))

Não é que nem uma pessoa que fica jogando sujeira e falando mal dos outros por aí a fora, porque ficou lá na porta, esperando fulano para falar, fulano não falou. Se você veio aqui para ver fulano, já devia ter ido embora faz tempo.

Você tem que vir aqui para ver Jesus Cristo. ((aplausos))

Ontem uma senhora falou para mim “vou ficar com raiva do senhor porque o senhor não quis assinar na minha Bíblia”...”fica pelo amor de Deus, eu não vou assinar na sua Bíblia que quem escreveu a Bíblia foi Deus e Jesus, não eu”.

Deixa de ser besta, é para você viver.

“Ah, mas eu quero levar de lembrança”. Então escreve aí o meu nome, mente que fui eu.

E pronto.

((riso))

E tem pessoa que não percebe isso, gente. E isso dentro da igreja tem que ficar muito claro, porque depois são essas pessoas que ficam por aí falando bobagem, falando mal, reclamando...                “Ai, porque eu queria ir ela falar com ele, falar com ela”. Nós viemos aqui com uma função e quando termina o nosso serviço a gente tem que falar “Senhor, sou um servo inútil, não fiz nada mais do que a minha obrigação”.

Grave bem essa frase, o dia que você tiver um problema sério você vai atrás, e quem não tem um problema sério inventa. Quem não tem um problema cria.

O dia que você tiver um problema, você faz igual a essa mulher. Essa mulher tinha um problema sério, era um problema para valer, era um problema que não tinha solução humana, ela não tinha saída. “A minha filha está cruelmente atormentada por um demônio”. E ela gritava “Senhor, filho de Davi, tenha piedade de mim”.

Era uma oração linda.

Era uma oração profunda.


Primeiro passo da cura

O primeiro passo da cura, eu vou falar os quatro, é um roteiro.

Qual foi a resposta de Jesus?

Nada.

Está no Evangelho.

Eu vou seguir esse roteiro, pode ficar com a Bíblia aberta, eu não vou dar um passo fora desse texto.

Versículo 23, ele não lhe respondeu palavra alguma.

Que... meu Deus... que insensibilidade de Jesus. Uma mulher, estrangeira, num outro país, sofrendo? E isso comove a gente. Outro dia eu assisti um jornal não sei em qual canal de televisão, mostrava uma mulher no Japão, que foi para lá e daí o pessoal que levou ela dava emprego, não deu mais o emprego para ela. E aí a coitada dessa mulher estava desempregada e sem ter isso, sem ter aquilo. E quando eu vai os meus olhos estavam cheios de lágrimas. A gente fica com dó.

Agora, uma mulher sozinha, estrangeira, abandonada, a filha cruelmente atormentada por um demônio, ela não fez uma oraçãozinha não, ela gritou “Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim, minha filha está cruelmente atormentada por um demônio!”

E o que é que Jesus fez?

Ele não respondeu palavra.

E nem fé deu ao que ela tinha dito. 93.8 por cento dos católicos, nesse momento, desistem da sua caminhada. 93 por cento dos católicos, nessa hora, mudam de religião.
“Eu rezei, eu fiz novena, eu fiz isso, eu fui na Igreja, e Deus não me atendeu. Fiz promessa para Nossa Senhora. Eu tinha um problema sério”. “E Deus não me atendeu. Eu não vou mais lá, o padre não atendeu eu. Eu não vou mais, aquele carismático, eu precisava tanto dele... eu estava... não atendeu eu... nem olhou para o meu lado, fez de conta que não viu eu...”

((riso))

Você está nesse grupo?

Eu já estive muitas vezes.

Mas acontece que essa mulher tinha um problema sério, e quem tem problema sério, não desiste.

Grave isso. Se você desistiu, é porque não era sério.

Quando você gosta de uma coisa, você não larga.

A moça largou do noivado, terminou o noivado. E o rapaz falou “por que é que você terminou o noivado?”, “mudaram meus sentimentos em relação a ele”, “ah, mas por que é que você ainda está usando esse anel de brilhante que ele deu?”, “os meus sentimentos ao anel não mudaram. Do anel eu gosto”...

((risos))

Quem não tem problema, cria.

Gente fraca, se enrosca em qualquer graveto. Faz tempestade em copo d’água e às vezes o copo nem está cheio.

Desiste à toa.

Quem não sabe para onde vai, para em qualquer lugar.

Mas quem sabe para onde vai, há uma mãe que tem um filho doente, desesperada para ver se salva essa criança e não tem recurso, ah, ela põe nas costas, ela atravessa o rio nadando, ela sobe morro, ela desce morro, ela vai atrás.

Os meus pais fizeram isso muitas vezes para me salvar. E se hoje eu sou padre e sirvo para alguma coisa na Igreja, é graças ao meu pai e a minha mãe e uma mula que meu pai tinha, a “Sucena”.

((riso))

E punha a gente na carroça, na charrete, bagageira, e ia para cidade.

Eu tinha bronquite.

Os meus pais tinham perdido quatro filhos antes de mim, inclusive as gêmeas que nasceram antes de mim.

Eu tinha bronquite.

E não foram os meus pais que me contaram. Foram os meus tios que me contaram, porque eles nunca me cobraram o amor que me deram.

“Olha, meu filho, o seu pai e a sua mãe saíam daqui da Barra, 32 km até Itajubá, debaixo de chuva, estrada de terra... não tinha ponte, tinha que passar por dentro do rio, rezando... o papai tocando a mula, a mamãe comigo no colo, debaixo da capa rezando a Deus para o menino não morrer. Levava a noite inteira, e quantas vezes a mula atolava, o pai descia, correndo, puxava a mula, tirava no braço aquilo...”

Não era assim?

Agora quem não tem problema, diante de qualquer coisinha desiste, nós estamos criando gente de raça muito fraca.

Jovem que qualquer probleminha vai para a droga.

Qualquer probleminha vai ter que tomar quilos de remédio para isso e para aquilo.

Qualquer coisinha desiste.

O lugar de gente fraca é o inferno. É para lá que vão todos, e se você for fraco... ó!

((aplausos))

Quem tem problema luta, quem tem uma dificuldade vai atrás. Quem sabe por que vive, esse enfrenta a vida, levanta, dá a volta por cima, sacode a poeira e vai lá. Não para. Agora, quem não tem problema, fica sempre olhando para trás...

“Ah, como eu sofri...”

“Ai, o que é que isso? O que é que é aquilo?”

“Por que é que na minha vida dá tudo errado?”

É porque você é muito fraco. O buraco foi feito para você jogar lixo. Se você vive num buraco, é por isso que está cheio de lixo em cima.

Nós estamos acostumando as pessoas a uma oração mágica.

“Oh, Jesus, resolve meu problema. Amém. Obrigado, Senhor”.

E você vê na televisão, e nesse canal graças a Deus não vê. E se você vir, você mude, o dia que ver esse canal de televisão, a Canção Nova fazendo isso, mude de canal na hora. Você não vai ver a Canção Nova dizer “Vem cá, que eu rezo por você e resolvo o seu problema”. Nunca.

((aplausos))

Você vai ouvir muitas vezes a Canção Nova dizer “Venha conosco, vamos rezar juntos, vamos pegar firme, que você faz parte desse projeto” e cada vez dá passo maior, maior, maior.

Por quê?

Porque você está vislumbrando na frente. Não desista porque alguém falou mal, porque alguém criticou, porque alguém mandou um e-mail, porque alguém mandou uma carta, porque alguém telefonou...

Enquanto os cães estão latindo, a caravana está passando e quem sabe para onde vai não desiste.

((aplausos))

A cura interior, ela é fundamental para fortalecer o meu coração, do mesmo jeito que eu se não como fico fraco, o meu coração, se ele não se alimenta de Deus, no livro Cure o Seu Coração, nós trabalhamos dessa temática. O meu coração precisa dos mesmos cuidados que precisa meu corpo.

Se eu não alimento meu coração eu vou ficando fraco.

E gente fraca é derrotada. Gente fraca desiste fácil.

Gente fraca só quer moleza.

É a história de dois burros.


Os dois burros

Na fazenda tinha dois burros. Um era burro, o outro burro e meio.

((riso))

O burro e meio acha que é mais inteligente que o outro. Que a pessoa, quanto mais besta, mais inteligente ela acha que é. A pessoa que é inteligente, mesmo, ela não fala que é inteligente. A pessoa que é humilde, já não fala que é humilde.

Então, os dois burros, aquele burro e meio, sempre encostando no outro.

Quando eu fazia um serviço, ele sempre jogava o serviço pior para o outro burro.

E aquele outro burro, coitado, nasceu para ser um burro, mas era um burro que prestava.

Ele nasceu para ser um burro santo. Ele era o melhor burro que podia ter.

Você também nasceu para ser santo. Que seja o melhor, não melhor do que os outros, melhor para os outros.

Você não tem que ser melhor que seu marido, você tem que ser melhor para o seu marido.

Você não tem que ser melhor que a sua irmã de comunidade, você tem que ser melhor para a sua irmã de comunidade.

Para Deus a gente dá o melhor.

E para as pessoas de Deus, a gente tem que dar o melhor também.

E aquele burro, então, só escolhia serviço fácil.

Quando tinha que puxar um arado, ele inventava desculpa e não ia.

O outro ia.

Aí um dia o patrão recolheu todos os burros. E falou para o capataz:

“Arrume os burros, põe uma cangaia firme – cangaia é aquele negócio que põe nas costas do burro – que nós vamos fazer uma viagem longa. Vamos transportar muito material”.

No dia seguinte, aquele burro e meio já chegou na frente dos outros para olhar, que ele queria a carga mais leve.

Aí ele viu ela um monte de palha, falou “Rapaz, eu vou levar essa palha aí. Eu vou ficar aqui perto e aí eu levo ela”.

Era uma carga enorme, porque palha dá um monte, né. E do lado tinha uns sacos de sal. E ele falou:

“É... esse aí eu vou deixar para o colega meu, né? “

((riso))

“Porque um saco desses é 60 quilos”.

E aí foi encostado ali, como quem não quer nada e chamou o colega.

“Vem cá, fulano, ficar conversando aqui...”

Sabe que os burros conversam, né. Eles têm diálogo: “hoon, hi-hoon”...

((riso))

E falou “O capataz chega e coloca o sal no colega, e a palha em mim”.

Dito e feito, capataz olhou, bateu nele...”Ô, burrão... vai levar a palha”...

“Fazer o quê? Estamos aí, né.”

((riso))

Parece alguns carismáticos que a gente conhece, né.

((riso))

E pos aquele monte de palha, aquela carga enorme, e ele fingindo que estava pesado... e aí o outro pos seis sacos de sal, em cada lado da cangaia.

“Argh!”

“Nossa! Você está fraco, né”...

((riso))

“Não almoçou não? Olha eu aqui, o tamanho da minha carga!”

E o outro não sabia que o sal era mais pesado, “Eu tenho que ser o melhor burro” e olha para o outro.

O outro burro falava para ele “ó! A gente tem que olhar bem onde a gente anda”.

“Que nada, deixa de ser bobo. A vida... a vida, é dos espertos. É só você olhar onde o outro passa, que você passa atrás sossegado. Você não precisa prestar atenção em nada, não.”

E ele foi indo, sossegado, e o outro do sal cansado.

E de repente tem que atravessar um rio.

Tem que se atravessar o rio, o burro da palha, muito gentil, um líder carismático inspirado...

((riso))

... falou “Ó! Vai lá irmão, você pode ir na frente”.

“Mas esse rio está meio fundo, hein?”

“Que nada, os outros passaram aí”.

“Bom...” e o burro que estava com os sacos de sal entrou no rio, e o rio era fundo. E o rio ia batendo o sal na água, que derretia. E derretia. E ele foi ficando mais leve, e conseguiu passar.

O outro burro “Não falei para você? Ó! Espera eu agora”...

((risos))

“Ô, abre alas que eu quero passar...”

((risos))

E começou o desfile.

A palha, na água...

((risos))

... vai encharcando, vai encharcando, vai encharcando...

((risos))

... quando estava no meio do rio, encharcou tanto que a correnteza levou o burro.

((risos))

E o encardido, ele quer fazer isso com você. Ele quer te dar uma vida bem suave, ele quer que você carregue palha. Mas, na hora que você tiver que passar o ribeirão da vida, meu filho, você vai morrer encharcado. Não tem outro jeito.

((aplausos))

Não procure as coisas fáceis. Nós precisamos educar as pessoas para a luta, e foi isso que Jesus ensinou no Primeiro Passo da cura interior.

O Primeiro Passo da cura interior é não desistir, mesmo que o Cristo parece não me ouve.


Segundo passo da cura interior

Segundo Passo.

Os apóstolos ficaram decepcionados com Jesus. Eles devem ter pensado “que coisa, coitada da mulher, berrando”, ”problema sério”.

E chegaram em Jesus.

Sempre dá um jeitinho de arrumar um grupinho para fazer uma pressão e os apóstolos vão fazer uma pressão para ver se atende a mulher.

E seus discípulos se aproximaram e lhe pediram “Manda embora essa mulher, pois ela vem gritando atrás de nós”.

Oração da chantagem: “leva embora”, “já que o Senhor não quer atender, manda embora”, “ó! Meu Deus, leva eu de uma vez”, “por que é que eu não morri”, “eu não pedi para nascer”... – e pedir de que jeito se você não existia?

“Ó! Senhor, coitada da mulher”...

E sempre acha um grupo de gente para te dar razão, e às vezes discípulo de Jesus, às vezes dentro do seu grupo. “Não é verdade?” “No seu grupo não foi assim? Eu estava ela, eu vai, ela foi falar com o padre, o padre virou as costas”. “Não é possível”. “É verdade. Infelizmente é verdade. Eu mesmo já falei para o padre ‘por que o senhor já não dispensa a coitada de uma vez? Por que é que o senhor já não proíbe ela de vir aqui na missa?’”

A primeira resposta de Jesus, a indiferença. Nem ligou.

A segunda resposta de Jesus, desprezo.

Olha a segunda resposta que Jesus disse. O que é que Jesus falou? Uma resposta de desprezo e petulância.

“Eu vim para as ovelhas perdidas da Casa de Israel”.

Meu Deus...

Se a indiferença doi, o desprezo dois mais ainda.

“Por que é que o outro é melhor que eu? Por que é que ele está atendendo fulano e não eu? Onde já se viu fazer isso comigo?” ((choroso))

Aqui, mais uns 93% dos católicos abandonam, já sobrou só 4%. Você ainda está naqueles quatro, ou já desistiu lá atrás? Ou você desistiu porque você rezou, rezou, e Deus parece que tapou as orelhas?

Ou quando você rezou, rezou e rezou, e recebeu uma chapoletadinha leve? “Eu vim para as ovelhas perdidas...”, “Você não é digno”, “Eu não vou atender você”.

E aí, a pessoa que já tem problema, pronto. Já se sente... era a hora da mulher falar:
“Ah... eu nasci para quê? O meu marido me abandonou. E eu sozinha aqui...” ((faz voz de choro))

((acha graça))

Era a hora... se o encardido estivesse perto daquela mulher, ele já ia dar elementos para a oração da lamúria.

“Olha, gente, o tanto que a gente sofre, que eu estou pedindo aqui, pedindo para ele... ((chora)) eu chamei ele de Senhor... ajuda eu, a minha filha está ((choro)) atacada pelo demônio...” ((lamuria)) “Os discípulos foram falar com ele. E sabe o que é que ‘ele’ falou? Desprezou eu”... ((choro))

((riso))

Ele falou “Eu vim para as ovelhas de...”

“Fica com as ovelhas, com os cabritos, com os carneiros, desgraçado!”, “eu não estou querendo fazer criação de carneiros, eu só queria que ele atendesse a minha filha...” ((choroso)) “eu não estava pedindo doação para ele”, “eu não... eu não ia pedir cabritinho para ele”, “e o que é que eu tenho a ver com esses carneiros dele? Com as ovelhas dele!”, “ele que fique com as o’velhas, o’velhos dele”...

Se o encardido estivesse por perto...

((riso))

... ela desistia. E para chegar na cura interior, tem que passar por esse caminho. E a maior parte para no primeiro, quando você reza e parece que Deus não escuta.

E segundo, quando você reza e você não vê o fruto acontecer na sua vida, vê acontecer na vida do outro.

“Por que será que fulano chegou esses dias na comunidade, e já está cantando e já está lá rezando, e eu que já estou aqui há seis anos!”

“É injustiça. Não, é porque eles só gostam de gente rica. É por isso que os evangélicos estão crescendo, é por isso que eles estão crescendo. É isso, a culpa... que eu estou aqui há seis anos, que é para varrer a igreja eu estou lá. Quando é para trabalhar na quermesse eu estou lá. Agora que teve esse congresso aí? Chamou aquela moça, sabe? Aquela sirigaita que está lá na frente... por que é que Deus não escuta eu?”

E Jesus dizendo “eu vim para as ovelhas perdidas”.

Palavra.

E a mulher, então desistiu? Foi embora? Quem tem problema, não desiste.
Insiste.

A mulher mudou a estratégia dela, é fantástica a mudança que ela dá no texto. A mulher vinha lá de trás berrando. Quando escutou a chapoletada de Jesus, ou melhor, quando não escutou, e depois, quando os discípulos intercederam, e ele deu aquela resposta até para os discípulos daquele jeito.

Ela foi embora? Ela andou mais depressa e se... se prostrou na frente d’Ele. O detalhe do texto é fabuloso.

Mas a mulher veio prostrar-se diante de Jesus e começou a implorar e aí ela não gritou mais e aí ela não contou mais a história dela. Ela não tinha mais força para fazer uma oração. Ela já tinha perdido o livrinho que ela comprou do Padre Léo rezando a vida, onde tem as orações, ela já não tinha mais. Ela já tinha perdido o CD “O Pai me Ama”, onde tem uma linda oração do padre Jonas de cura interior. Ela tinha perdido tudo. Ela estava sozinha ali. Ninguém tinha entendido, ela já tinha lido livro do Dom Cipriano, do Padre Jonas, o Combate na Oração, e não adiantou nada. Ela largou tudo e foi embora? Não. Ela já não tinha argumento para Jesus, ela já contado o problema para Jesus, ela já tinha berrado “Senhor, a minha filha, senhor, filho de Davi, tenha piedade de mim, a minha filha está cruelmente atormentada por um demônio. Ela berrou lá atrás, os discípulos fizeram intercessão por ela, fizeram grupo, reuniram, não adiantou nada. E o que é que ela fez? Foi embora? Não. Quem tem problema sério, não desiste. Mas a mulher veio prostrar-se. E o que é prostrar? É deitar, chegou lá e deitou na frente dele e ficou lá.

E a única que conseguiu fazer, “Senhor, ajuda-me”. Como quem diz, agora o Senhor vai passar por cima do meu cadáver. Agora o Senhor chuta eu, então.

((aplausos))

Que oração!

Prostrar-se é deitar!

Ontem teve gente aqui que não se ajoelhou diante do Santíssimo, ou ajoelhou dois minutos, já sentou, já ficou andando. Um dia uma senhora chegou para mim e falou “Padre, eu vou desistir, padre. Meu marido... meu filho, padre, eu já fiz de tudo”. E ela estava com a saia aqui, assim. A senhora podia levantar a saia um pouquinho? ((riso))

Credo, padre!

Então, a senhora faz favor, levanta não até em cima, eu quero ver só o joelho da senhora.
Para que, padre?

A senhora levanta a saia um pouquinho?

Olhou o joelho da senhora e falou “A senhora ainda não fez tudo, não. Não tem calo no joelho.

Se tiver calo no joelho eu acredito”.

((aplausos))

Eu não acredito em quem fala de Deus se não tiver calo no joelho e muitos aqui não foram curados e não serão enquanto não dobrar o joelho diante de Jesus. E para valer.

((aplausos))


Terceiro passo da oração

Terceiro passo da oração.

O terceiro passo da oração, é prostrar-se, jogar-se no chão, deitar-se diante de Jesus e soltar lá do fundo do seu coração, uma oração profundamente linda, maravilhosa e curta...”Senhor... ((silêncio)) socorre-me... socorre-me, Senhor”.

Gente, socorrer? Nós temos em português, no mesmo sentido, pronto-socorro. O socorro é aquilo que vem de fora. Socorro é quando você pede socorro. O socorro do bombeiro, quando alguém é acidentado não deve mexer na pessoa, chama o bombeiro, é chamar o pronto-socorro. É levar às pressas, a ambulância faz oooooooooooo-ó! E os carros vão saindo, o sujeito vai buzinando, é socorro. É uma casa pegando fogo, e o bombeiro vem com aquele negócio, a sirene, oooooooo-ó! E o carro vai encostando, é preciso ter pressa para socorrer, socorro é isso, quando não tem mais jeito. Socorro significa que se eu não chegar lá, a pessoa morre!

E a mulher falou isso para Jesus “Senhor, socorre-me. Eu não tenho mais força para rezar, senhor. Eu não aguento mais. Eu já fui desprezada, eu já falei para o Senhor, eu já falei tudo, eu expliquei tudo, eu pedi tudo para o senhor e o senhor não me atendeu? Os discípulos já falaram...

A sua oração será ouvida no dia em que você puder traduzir toda a sua dor, todo o seu sofrimento, toda a sua angústia nessa única frase, “Senhor, socorre-me”. E sem justificativas.

((aplausos))

Não tem justificativa.

“Quantas e quantas vezes eu tenho falado para o Senhor diante de um filho com um problema lá em casa?”

Esses dias eu fiz essa oração muitas vezes. De São Paulo, falei com a Jucélia por telefone, “o senhor é consagrado responsável de Curitiba, tinha sido internado”.e dentro do avião eu fui e essa frase vinha “Socorre-me Jesus, socorre-me senhor”.

E quando eu desci no aeroporto de Navegantes, até lá em casa dá 100 km, até Curitiba dá 200 km. Liguei e falei “Júlio, estou indo para Curitiba”.

“Socorre-me Senhor”.

Não liguei o rádio, nada. O que é que eu vou fazer? Não sou médico. O que é que eu vou fazer?
Só cheguei lá, dei um beijo nele, falei uma piada para ele rir. E falei o quê? O que é que eu vou falar diante de um filho que eu amo de paixão? Mas está com câncer... e um câncer terrível, a medicina já matou ele não sei quantas vezes ele venceu? E ele está lá. Está o restinho dele.

Vou falar o quê?

“Socorre-me Senhor”.

Quando vem um filho de 15-16 anos e fala “padre, eu estou com AIDS, padre”.

Quando vem uma mulher com 3-4 filhos e fala “eu estou com AIDS, padre”.

O que é que eu vou falar? Eu vou fazer terapia da vida passada para ela?

“Socorre, Senhor”.

O que é que eu vou fazer? Quando eu me encontro em situação de pecado, que eu não consigo vencer, meus próprios pecados!

E às vezes é terrível, porque o padre, quando ele está no pecado, é terrível, é mais do que para você. Porque às vezes você está num pecado, sabe que é grave. Sabe que é um pecado mortal. E eu já dei vários exemplos de pecado mortal aqui, e você está marcado para presidir a Eucaristia logo em seguida? E aí?

Você magoou alguém. Pecado mortal.

E logo em seguida você tem que dizer “isso é meu corpo”?

Bethania me ajuda muito nisso.

A nossa missa e o nosso ato penitencial é sempre partilhado, e os meninos e as meninas fazem aquelas orações profundas, a maior parte das vezes é tudo para mim. Muitas e muitas vezes eu vou pegando o meu terço bizantino e andando lá em Bethania rapidinho e só pedindo...
“Senhor, socorre-me, senhor, ajuda-me Senhor, eu sou um monte de bosta. Ajuda-me, Senhor”.

((risos))

Ajuda... eu não tenho o que falar.

Essa é a oração, gente, que quando você não tem argumentos. Eu vou argumentar o quê? Deus já fez tanta coisa na minha vida, Deus é tão maravilhoso comigo e mesmo assim eu não emendo, eu não mudo. Eu queria mudar mas eu não consigo. Eu queria ser diferente, eu queria amar certas pessoas mas eu não consigo, a minha vontade é de enfiar a mão na cara daquela filha da mãe...

Eu estou pedindo, Senhor, muda o meu temperamento. E Ele não muda. Eu vou fazer o quê?
Socorre-me, Senhor.

Eu queria largar esse vício do cigarro, eu queroa largar esse vicio de prostituição, eu queria lutar e largar essa tendência homossexual que eu tenho, eu queria largar de falar mal da vida dos outros, eu queria largar, Senhor, de ser consumista, mas eu não consigo. Eu não tenho outra coisa a não dizer, “Senhor, socorre-me Senhor”. “Vem Senhor, socorre-me, socorre-me... socorro... eu estou... eu estou afundando, Senhor”.

É quase igual a Pedro quando está afundando na água, “Senhor, salva-me”.

Ele podia ter virado para o pessoal do barco e falado “joga uma corda”. Ele estendeu a mão para Jesus, que estava pisando na mesma água que ele estava afundando. Não tem lógica, porque dois na água afunda mais rápido.

((riso))

“Socorre-me, Senhor”.

Esta é a oração mais profunda que você pode fazer.

E qual foi a resposta de Jesus?

Violenta.

Esse terceiro passo, minha Nossa Senhora, Maria sabe, porque eu leio a Bíblia, eu não leio a Bíblia e vou conversando com a Bíblia. Falo “isso aqui está errado”, “isso aqui não está certo” até eu entender. E aqui eu parei muitas vezes.

A mulher chega numa humilhação dessa, ela não tem mais onde ir, ela se jogou no pé de Jesus. Já esgotou, esgotaram-se todos os seus argumentos, ela berrou. Ela rezou direitinho, “Senhor, filho de Davi, tende piedade de mim, minha filha está terrivelmente, cruelmente atormentada por um demônio”.

“Os discípulos pediram e nada. A primeira vez ele nem escutou. Na segunda vez ele ainda deu uma cacetada em mim ainda, falando que veio para as ovelhas lá. E na terceira vez eu me prostrei, eu me joguei no chão e falei ‘socorre-me, Senhor’.”

E qual foi a terceira resposta de Jesus? Aqui, 99.999 por cento dos católicos abandonam Jesus. Nessa hora. Não passa do terceiro passo. Se você na sua vida você não conseguiu ainda a sua cura, você não passou do terceiro passo, a mulher descabelada joga-se no chão.

Senhor, socorre-me.

Versículo 26, Ele lhe disse “não fica bem tirar o pão dos filhos para jogar aos cachorrinhos”.
Jesus chamou essa mulher do quê? Ele comparou ela com o quê? Com a cadela. Já pensou?

Se isso acontecesse hoje, imediatamente a pessoa estaria no Ratinho...

((riso))

... com 300 advogados.

“Senhor Ratinho, nós viemos aqui com um problema muito sério, é uma senhora, coitada, estrangeira... abandonada pelo marido, a filha atormentada por um demônio, foi pedir para aquele padre lá, pedir oração. E ele, ele fez que nem escutou. Os... os auxiliares dele foram lá pedir e ele nem deu bola. E quando ela se humilhou na frente dele, o senhor sabe o que é que ela falou? Chamou ela de cachorra, e ele não estava ensaiando baile funk no Rio de Janeiro. E isso está certo?”

((aplausos))

Ah, eu imagino as manchetes no dia seguinte.

“Religioso é preso por ofender publicamente estrangeira”.
Ia ter matérias no Cansástico aos domingos...

((acha graça))

“Vejam essa noite... o depoimento, as pessoas que viram quando o reverendíssimo padre humilhou publicamente a pobre coitada...”

“Se você acha que esse padre deve ser preso ligue 0800-90-58”...

((risos))

“Se você acha que não, que ele deve continuar humilhando as pessoas desse jeito, ligue, porque aqui é você quem resolve”...

((risos))

Pensa.

Jesus chamou a mulher de...?

Você continuaria indo na missa? Imagina o padre Jonas? O padre Jonas sempre, se for falar “bobão”, “desculpa”. Imagine o padre Jonas. Imagina essa, você imagina? Você consegue imaginar essa frase na boca do padre Jonas? O padre Leo, ainda vai. Mas do padre Jonas, você imagina?

((risos))

Imaginem o padre Rufus falando aqui? “Em ingrês”? “She is a dog”? Hein?

((aplausos))

Imaginem... e você voltaria para o acampamento? Se você reclama porque lá não te atenderam na hora? Reclama por isso? Reclama por aquilo? Reclama por aquilo? Reclama por aquilo?

E a hora que o padre Jonas... eu estou abaixando bem o nível, padre Jonas.

((acha graça))

Porque quem falou foi Jesus.

E nós, eu, o padre Jonas, só somos os representantes dele. Você imagine, você continuaria nessa comunidade?

Verdade. Por quanta coisa muito menos você perdeu amigos? Por bobagem você não fala mais com determinadas pessoas? Por bobagens muito menores, porque a pessoa falou uma bobagemzinha e que você ficou sabendo e nem sabe se ela falou, você já passou a acusar a pessoa, a descer a lenha na pessoa e falar mal da pessoa. Terceiro passo para a cura interior, é violento, porque você vai ter que virar um cachorro...

((acha graça))

Jesus chamou a mulher de “cachorra”. E o que ela fez? Latiu.

((acha graça))

Está aí.

Cain, cain, cain...

((acha graça))

Ela insistiu.

Pode traduzir ela então, “latiu”.

((acha graça))

“É verdade, Senhor. O senhor está certo. Mas os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa de seus donos”.

((aplausos))

“Me dá o resto, senhor...”

Diante disso, é aqui que vem a cura. Olha o roteiro de cura interior. Esse é o próximo livro que eu estou escrevendo, chama “Roteiro de milagres”. Está aqui. Se aparecer alguém antes, copiaram de mim, viu?

((riso))

Mas ninguém vai escrever do meu jeito também, e pronto, né?

((acha graça))



Quarto passo da cura interior

Você chega até esse quarto passo, verdade verdadeira, não pode ser mentira mentirosa, ou desistiu lá no primeiro já?

Quantos chegam nesse passo? Todos aqueles que recebem a graça da cura interior.
Para chegar na cura, você tem que chegar nesse passo.

Chamou de cachorro? Então eu lato.

Diante disso, versículo 28, diante disso, depois disso, só por causa disso, só então, depois dessa caminhada toda, então, diante disso, “, ” e é disso, não disto, se fosse disto podia ser algo mais longe, é disso, é aqui, diante desse fato aqui, ó! Não é disso no sentido disto, ou que está lá. É isso. É aqui. É diante “desse fato”, português é muito claro também. E os bispos mandaram traduzir, é muito bem feito isso daqui. Diante disso, Jesus respondeu...

E esse é um conceito de cura interior que eu quero explorar muito nesse livro, cura interior é uma resposta.

Resposta à pergunta, resposta à oração, resposta à garra, resposta à luta.

E Jesus respondeu.

E como é que ele respondeu? Que coisa linda. “Mulher...” e qual foi a outra pessoa que Jesus chamou com esse título? A mãe dele. Percebe? Esse “Mulher” aqui, com ‘M’ maiúsculo, é o mesmo que ele falou para Maria em Canaã? “Mulher”.

“Mulher”.

É o título mais alto que uma mulher é “Mulher com ‘M’ maiúsculo”.

É Mulher na sua plenitude.

“Mulher, grande é a tua fé. Como queres, “, ”, te seja feito”.

Então você diz “Deus não atendeu a minha oração “, e por que? Porque você não quis ainda verdadeiramente. Deus não me curou ainda, porque você ainda não quis ser curado.
Jesus está dizendo aqui, a oração de cura é resposta. E é uma resposta nítida, sem subterfúgios, direta. “Grande é a tua fé”, e enquanto a sua fé não for grande, pode esquecer. “Como queres”, do jeito que você quer, eu faço conforme você está falando. “Te seja feito”, conclusão.

E a partir daquela hora sua filha ficou curada.

Se você não conseguiu um milagre ainda, é porque você está parando no meio dessa estrada.

((aplausos))

O milagre não vem nem no primeiro passo, o primeiro passo é quando eu monto a minha oração linda e maravilhosa? Não. Aquela oração que você vai ler no meu livro “Rezando a vida”, que tem todas as etapas, tem a oração do corpo, da cabeça, da mão, da orelha, do pé, tem a oração do trabalho, do banho, do carro, do fogão, tem tudo. Esse é o primeiro passo.
Você vai ouvir o CD “O Pai me Ama”, do padre Jonas, é o primeiro passo, porque eu escrevi o livro, padre Jonas gravou o CD e escreveu livros, então se criando. Então, todos que já escreveram, Bárbara, e outros que já escreveram sobre cura interior, é a primeira parte. É para você ter... o padre Alírio, o Pedrinho. Bem lembrado, o meu querido irmão, meu querido amigo, padre Alírio, o mestre que nos ensina tanto, tanto e tanto da cura interior... na oração de amorização, mas outro livro dele que dá bem a ideia disso “Práticas de cura interior”, é prática. Percebem? É a primeira parte.

Então vai ler o livro, o livro vai ajudar. Se você vai pegar esse livro, por exemplo, “Rezando a vida”, você encontra cada sacramento, textos bíblicos para você rezar depois, e tem aí, oração. Oração, mesmo, oração rezada da gestação, do nascimento, da infância, da adolescência, namoro, sexualidade, casamento, sacramento da ordem, perda de alguém, até para o final da vida, a melhor idade, acompanhado de salmos, é só a primeira parte.

Eu não estou fazendo propaganda, eu não estou dizendo para você “ó! Resolve a metade dos seus problemas”, não adianta comprar: Eu estou dizendo que aqui você tem um roteiro. É a primeira parte.

Deus inspirou para ser um roteiro bem feito, graças a Deus que muita gente dando testemunho de cura. Mas é o primeiro.

E vem o segundo passo. O segundo é a intercessão, intercessão da minha comunidade, é a intercessão do meu grupo, é a oração feita no plural, é participar da Eucaristia, é participar de retiros.

Vem a terceira, é a terceira, é a hora que a gente não aguenta mais. É a hora que a gente pensa em entregar os pontos, é a hora em que a gente pensa em entregar os pontos. É a hora que a gente fala “não vai dar mais”, “eu não sei o quê fazer. Eu já fui no padre Rufus. Eu já fui no padre Leo. Eu fui no padre Jonas. Eu... eu pedi para Luzia, eu fui lá, não adianta mais”.

Mas esse é o terceiro passo ainda.

O terceiro passo, tem a hora que você leva aquela bordoada na cara.
Mas Jesus disse na segunda resposta, “eu vim para as...?”, “ovelhas perdidas”... ele comparou o povo judeu a qual animal? Ovelha. E comparou a mulher a qual animal? Cachorro.

A ovelha é o bicho mais besta que tem no mundo. A ovelha, se você pegar ela daqui, botar lá, ela morre lá, ela não sabe voltar. Ela não tem senso de direção. A ovelha não enxerga mais do que 10 metros na sua frente. A ovelha, se ela se machucar no mato, o pastor tem que largar todas as outras para ir lá atrás dela, que se não ela morre. A ovelha, se não cortar os pelos dela, vai juntando carrapicho e ela morre.

Jesus fez foi um elogio para ela, porque cachorro não desiste. O cachorro está contigo até. Olha, todos os seus amigos podem abandonar você, o cachorro está ali, do seu lado. E ele está te lambendo, o cachorro está pulando no seu colo. Se você deixar ele longe, ele late, late, late, late. E eu vejo as minhas cachorrinhas, se você prender lá e eu passando elas latem. Onde eu vou, elas estão indo atrás, elas sentem o cheiro de longe, às vezes eu estou lá no meio do mato, daqui a pouco eu vejo aquele barulhinho, elas vem sentindo o cheiro do meu pé, e não é que é fedendo não. Ela vem mesmo.

((acha graça))

E acha a gente. Cachorro insiste. Cachorro vai atrás. Cachorro enfia a cara assim e vai cavocando, vai cavocando... jesus fez um elogio! E nós temos que ser esse cachorro, de correr atrás.

((aplausos))

De insistir.

((aplausos))

De ser fiel.

((aplausos))

O cachorro não te abandona se é rico ou é pobre, o cachorro está lá.
Um dia, vindo para fazer a tenda, peguei um táxi no aeroporto, chovendo, estou ali lendo jornal, e de repente, não sei o porquê, o trânsito parado. Eu levanto a cabeça, olho lá, debaixo do viaduto em São Paulo tinha um homem deitado, sujo. E o cachorrinho assim, daqueles vira latas, em pezinho, do lado dele.

E eu comecei a pensar, ó! Meu Deus... que maravilha. O cachorro está dizendo para ele “Deus te ama”, cachorro está dizendo para ele “não importa se você foi rico ou você foi pobre”, “se foi honrado, se foi desonrado”, o cachorro está dizendo “eu estou com você, mesmo que você me dê só osso, eu estou com você”. O cachorro é o sinal do próprio Deus para nós, nós damos só osso para Deus, só o que não presta para Deus e ele está latindo dia e noite “eu te amo”, “eu te amo”, “eu te amo”, “eu te amo”, “eu te amo”, “eu te amo”, e às vezes a gente reclama como uma ovelha que não enxerga 10 palmos na frente, porque acha que ele cortou o pelo da outra, ela é mais bonita. Se você quer chegar a essa cura interior, você tem que passar por essa experiência.

Não desistir.

Não olhar para trás.

((aplausos))

E eu convido você a fazer isso hoje.

A Eucaristia que nós vamos celebrar nessa tarde tem esse sentido.

Nós temos que pedir a intercessão hoje dos mártires macabeus, que ali, na beira da morte, prestem atenção nas leituras de hoje. Não desistam. Porque Deus olha o nosso coração.

Fala com Deus agora.

Talvez você esteja igualzinho ao filho pródigo.

Talvez faça tempo que você não fala com Ele.

Alguém me pediu e eu vou atender essa pessoa, porque é oração. E é oração muito bonita.


Oração “Alô meu Deus”

Reze comigo.

Transforme em oração, se tiver longe de Deus, liga para ele.

“Alô, meu Deus, fazia tanto tempo que eu não mais te procurava. Alô meu Deus, senti saudade suas, e acabei voltando aqui. Andei por mil caminhos, e como as andorinhas, eu vim fazer meu ninho, em sua casa e repousar. Embora eu me afastasse, e andasse desligado, meu coração, cansado, resolveu voltar.”

Diga para Deus...”eu não me acostumei nas terras onde andei”...”eu não me acostumei nas terras onde andei”...

“Alô, meu Deus, fazia tanto tempo que eu não mais te procurava. Alô meu Deus, senti saudades suas, e acabei voltando aqui. E gastei a minha herança comprando só matéria, restou-me a esperança de outra vez te encontrar. Voltei arrependido, de coração ferido, mas volto convencido que esse é o meu lugar”.

“Eu não me acostumei nas terras onde andei”.

Diga para Deus “eu não me acostumei nas terras onde andei... eu não me acostumei nas terras onde andei... eu não me acostumei nas terras onde andei”.

É verdade, Senhor. Eu não me acostumei, eu não me acostumo a viver nesse pecado. Muitas e muitas vezes, Senhor, o meu coração está terrivelmente atormentado pelo egoísmo, pelo ódio, pela mágoa, pelo ressentimento, pela angústia, pela tristeza. Muitas e muitas vezes, Senhor, meu coração está terrivelmente atormentado por um espírito de impureza, de prostituição, de violência. Muitas e muitas vezes, Senhor, o meu espírito está terrivelmente atormentado pela soberba, pelo orgulho, pela preguiça, pela vaidade, pela intolerância.

E muitas e muitas vezes, Senhor, eu já gritei “tende piedade de mim”, e parece que eu não escutei resposta, senhor.

Quantas e quantas vezes eu já me decepcionei, porque eu acreditava tanto! Me falaram que era só ir lá que dava certo, e eu fui não senti nada. E igualzinho Jesus fez com essa mulher, Ele nem deu bola para ela. Comigo aconteceu assim, Senhor. Eu fui lá e rezei, parece que nem estava lá. Mesma coisa de eu não ter ido. E meu coração foi ficando, Senhor, a cada dia cada vez mais atormentado. E aí vinha os vícios. E eu tinha que me esconder, Senhor, eu não podia mostrar quem eu era. E eu fui criando uma máscara, fui criando uma casca grossa no meu coração porque a minha decepção, por não ter sido atendido na primeira vez que eu fui, e eu acabei, senhor, não acreditando mais, mesmo naquelas pessoas que vieram lá, rezar, falaram que ia dar certo, mandaram eu ter calma e paciência, mas como ter calma e paciência, senhor, diante de tanto problema?

Parece que o senhor não me escuta, parece que o senhor não enxerga que eu estou aqui desesperado? Que eu estou precisando da sua ajuda, senhor?

Muitas vezes senhor, eu já desisti, eu não passei desse segundo passo.

Eu me joguei na sua frente, senhor, eu me prostrei, Jesus. Eu me humilhei. Está certo que eu não conseguia mais rezar, a única coisa que eu pedi foi “Senhor, socorre-me”. E aí foi o pior dia, Jesus, porque eu ouvi cada chapoletada, inclusive tinha gente me dizendo “você merece isso”. “Você não vale nada”. E eu mesmo achei que eu não era nada, senhor. Eu mesmo cheguei a brigar contigo e dizer “eu não sou nada, é por isso que Deus não me atende”. Ah, Senhor, me doeu tanto. Senhor, eu fui tratado pior que um cachorro, Senhor, nem deu bola para mim...

E muitas vezes eu desisti ali, Senhor.

Mas hoje, Senhor, hoje que o senhor me trouxe nessa Canção Nova, hoje eu quero pedir uma grande graça, Senhor. A graça de não desistir. Eu quero pedir a graça, Senhor, de ser feito um cachorrinho correndo atrás do senhor, cheirando, Senhor, os seus rastros, mas não me deixa desistir, Senhor, me joga nem que seja um resto de osso, Senhor, mas não me deixa desistir porque eu preciso, Senhor, eu preciso dessa vida nova.

Eu preciso ser esse homem novo, essa mulher nova, Senhor. Esse padre novo. Eu preciso, Senhor, me ajuda, senhor. É por isso que eu estou te ligando, é por isso que eu estou te implorando, é por isso que eu estou te contando, é por isso que eu estou me confessando, senhor.

É por isso, Senhor, que eu estou pedindo, insistentemente, não me deixe desistir.

“Alô, meu Deus, fazia tanto tempo que eu não mais te procurava. Alô meu Deus, senti saudades suas, e acabei voltando aqui. Gastei a minha herança comprando só matéria, restou-me a esperança de outra vez te encontrar, voltei arrependido, de coração ferido, mas volto convencido que este é o meu lugar”.

“Eu não me acostumei nas terras onde andei... eu não me acostumei nas terras onde andei”...

((fim da transcrição))


Um comentário:

Ellaine Pontes disse...

Essa palestra é ótima! Ele tem razão em tudo o que disse. Gostaria tanto que ainda estivesse na terra pra continuar nos ensinando tanto. Eterno Padre Leo!